Resenha: Crônicas de Morrighan - Mary E. Pearson

novembro 20, 2017 / Francisco Soares Chagas Neto /

O Universo das Crônicas de Amor e Ódio tem um inicio, quase tão avassalador quanto toda a série




Expurgo. O processo de expulsar ou eliminar algo. Essa palavra com sete letras tem sido uma constante na história da humanidade. Seja na Bíblia, como o caso das dez pragas do Egito, o Dilúvio, ou ainda a Travessia do Mar Vermelho; Seja também ao longo da vida no planeta Terra, como a extinção dos Dinossauros, tsunamis naturais, peste negras e outras epidemias, e até mesmo as grandes guerras que assolaram a terra no século XX. É um elemento natural, ou provocado pelo homem que leva o mundo para um grande caos e após isso ocorre a recuperação.

Mary E. Pearson utiliza o elemento do expurgo para explicar a constituição do mundo dos Remanescentes, para explicar o nascimento de um dom, de novas profecias, tradições. Um tempestade que assolou a humanidade (não fica bem explicado se era a nossa, ou outra), destruiu milhões de vida, para assim elas serem reconstituídas. Algo como o Ragnarok da mitologia nórdica, onde o planeta chegou a um ponto que não tinha solução e o jeito era reinicia-lo, para ver se agora caminhava para frente. E qual é o inicio de tudo? Como os reinos são formados? E a humanidade finalmente seguirá em frente? Essa história começa a ser explicada nas Crônicas do Remanescentes, "prequel" da trilogia das "Crônicas de Amor e Ódio".



A história contada nessa pequena novela, centra-se sobre os primeiros anos de vida de Morrighan, uma jovem que assim como Venda, sua irmã, viviam em um Clã, onde a chefe, Gaudrel, foi a responsável por salva-los durante os anos em que o mundo estava assolado por desgraças derramadas pelos deuses para expurgar a humanidade. Gaudrel usou o seu poder, o dom, para que conseguisse guiar esse clã para salvação. A senhora, ainda foi responsável por escrever esses acontecimentos e as profecias futuras, que ficaram conhecidas como "Os últimos Testemunhos de Gaudrel". Foi a partir desse start que a humanidade começou a reescrever sua história e tradições.

Quando jovem, Venda foi sequestrada e levada para além da montanha e o seu clã, comandada agora por Ama, mãe das jovens, passaram a viver como nômades nessa terra. Morrighan, vivia então sob vigia incessante de todos, com medo que acontecesse com ela a mesma situação ocorrida com Venda.

Porém, aos oito anos de idade, ela quase foi encontrada pelos Abrutes, sobreviventes da tempestade que assolou o mundo, que vivia simplesmente de um lado para o outro roubando água e comida de outros clãs, sendo visto como preguiçosos e perigosos pelos outros. O que aconteceu foi que nesse momento, um jovem acobertou Morrighan de ser encontrada pelos membros dos Abutres. Jafir, o qual ela o encontraria somente quatro anos depois desse primeiro momento.



UMA HISTÓRIA DE AMOR NASCE

Mais tarde, os dois jovens se encontram. Inicialmente, por serem de mundo diferente, são ariscos um com o outro. Afinal ele era um Abutre, um ladrão. Ela era uma fraca, que por algum motivo, todos a queriam. Um engano de ambas as partes. Nem ela fraca, nem ele um simples ladrão. E assim eles se conhecem e começam uma grande amizade que ascende uma chama interna.

É muito apaixonante ver como esses dois jovens tão diferentes, se conectam. A autora, assim como nas Crônicas da Amor e Ódio consegue uni-los de maneira primorosa, quase poética. Duas pessoas tão diferentes que quebraram as barreiras de seus preconceitos e aprenderam um com o outro. Ela viu as dificuldades de ser um abutre. Ele viu que os métodos nada fracos do clã de Morrighan. A união perfeita para construir um reino: Força, Coragem, Humildade, Amor.

Porém, ao longo da história, ligações proibidas começam a se tornar reais e nesse momento, os dois jovens precisam lutar, e utilizar sua inteligência, para sobreviver. E mais uma vez, o Amor. Porque ele é um condutor que poderá dar perspectivas futuras para qualquer pessoa. Viver com outra pessoa (não no sentido de um relacionamento amoroso, carnal).



UMA JORNADA ONDE A FORÇA FEMININA É PROTAGONISTA

Assim como, nas Crônicas de Amor e Ódio, o empoderamento feminino está presente ao longo dessa história. Mulheres formaram um clã extremamente forte, por meio do dom. Mas não só com ele. Elas são trabalhadoras e sabem se defender, quando necessário. É importante ver esse tipo de representatividade em histórias de fantasia, escritas por mulheres. E o melhor. Essas mulheres estão longe daquele esteriótipo masculinizado, que alguns autores suplantam em suas histórias. São mulheres comuns, com uma força única. Não é a representação de todas, mas de muitas, que em muitos casos são subjulgadas como fracas, porém em seus interiores, não existe esse adjetivo.

UM RETORNO AOS REMANESCENTES, OU COMEÇO DE TUDO?

Uma dúvida na cabeça de muitos leitores é se essa história deve ser lida antes, ou depois de finalizar as Crônicas de Amor e Ódio. Minha resposta é "Tanto faz". Sim, esse é um livro que você pode ler antes, ou depois de finalizar a história de Lia. Para quem for ler antes, com certeza é uma boa primeira impressão sobre o mundo dos Remanescentes, até recomendo, para aqueles que ainda não começaram a série e estão com um pouco de medo se vale a pena investir tempo e dinheiro. Para quem já finalizou sua caminhada com Lia também é um grande retorno ao mundo Remanescente, para entender o que de fato aconteceu com Morrighan, pois afinal de contas, durante a história de Lia, conhecemos duas versões, mas nenhuma dela é contada pela própria Morrighan como esse livrinho aqui.

Então sem medo de ser feliz, entre nesse universo e se apaixone pelo Mundo dos Remanescentes que com certeza é muito mais que uma simples história de amor "e ódio".




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A Crônicas de Morrighan (Morrighan)
Autora: Mary E. Pearson
Editora: Darkside Books
Ano: 2017
Skoob: 4,7 Estrelas/ 4,08 Estrelas
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05 Estrelas
Descubra a origem de um sentimento que ergueu um novo Reino. Quando o primeiro volume das Crônicas de Amor & Ódio chegou ao Brasil, os leitores souberam na hora que era amor à primeira vista. A jornada de Lia — repleta de aventura, fantasia, poder e romance — fez com que os darklovers se entregassem de corpo e alma a um universo deslumbrante criado pela premiada escritora Mary E. Pearson. Mas antes que fronteiras tivessem sido traçadas, antes que tratados fossem assinados e batalhas fossem travadas novamente, antes que os grandes reinos dos Remanescentes tivessem até mesmo nascido, uma menina chamada Morrighan e sua família lutavam para sobreviver em meio à guerra. Com uma narrativa poética e apaixonante, Mary E. Pearson transpõe as barreiras culturais em nome do amor e traz respostas e ternura a todos que estavam com saudades das belas crônicas.
Autora: Mary E. Pearson é norte americana, moradora da Califórina, é conhecida no exterior principalmente por causa da sua primeira série de livros "The Jenna Fox Chronicles" (sem tradução para o português) e agora está colecionando novos fãs com a série The Kiss of Deception que chegou aqui no Brasil em 2016 pela Darkside Books.

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