Resenha: Legião - William Peter Blatty

outubro 25, 2017 / Thyago Costa /

"Então Jesus lhe perguntou: 'Qual é o seu nome?'. 'Meu nome é Legião', respondeu ele, 'porque somos muitos'." Marcos 5,9




“A maldade física e a bondade moral se entrelaçavam como duas fitas de uma hélice dupla incorporada ao código de DNA do cosmos”.

A primeira (e única) vez que vi O Exorcista foi uma experiência nada amistosa, pois com ele veio um trauma para filmes de terror que me acompanha até hoje. O medo é um sentimento presente que nos persegue em níveis diferentes. O medo de ficar sozinho, do escuro, de algum animal, de altura, de assaltos, de fantasmas, etc. Mas existe um temor bem mais primitivo, e , parafraseando H.P Lovecraft, não existe maior medo do que o medo do desconhecido. E para tentar confrontar esse medo, eu me desafiei a ler Legião (1983), de William Peter Blatty, a continuação do maldito O Exorcista.



Um garoto de doze anos de idade é encontrado brutalmente crucificado em remos num ancoradouro, e esse é apenas o primeiro de uma série de assassinatos horríveis que farão o detetive William F. Kinderman perder mais ainda sua fé na humanidade. E numa corrida para tentar solucionar os estranhos e bizarros casos, Kinderman percebe que uma força bruta e de total incompreensão humana está agindo por detrás dos panos. A situação complica quando o único suspeito é um assassino já morto há alguns anos.



A primeira metade do livro é mergulhada em uma trama investigativa, que conduz à construção da personalidade do protagonista e dos personagens de suporte. O ponto mais crucial na personalidade de Kinderman é sua dúvida sobre a verdadeira natureza humana. Durante a narrativa, vemos o detetive mergulhar profundamente na sua teoria sobre o mal primordial que afeta o Homem. E por muitas vezes ele divaga absurdamente em seus pensamentos – o que pode ser um pouco tedioso para o leitor.



A segunda metade do livro já aprofunda o teor sobrenatural e visceral que Blatty veio construindo aos poucos desde o começo da narrativa. Os assassinatos representados são brutais e incômodos, os leitores acompanham em tempo real as descobertas de Kinderman e ficam tão perplexos quanto o personagem.



Legião trabalha muito mais como um livro policial do que terror, pois o que fica presente é a agonia em saber quem é o responsável pelos crimes sádicos. Obviamente que nós leitores já sabemos que uma força demoníaca está manipulando todos ali, mas o grande trunfo é adentrar na mente de Kinderman como um investigador tentando combater algo inexplicável.



O livro termina com um clímax razoável e a conclusão da teoria de Kinderman sobre o mal transcende as páginas ao trazer um dilema para a mente dos leitores. E é imprescindível a leitura anterior de O Exorcista, pois Legião contém spoilers pesados sobre a conclusão do mesmo. Talvez, se eu tivesse lido o dito cujo antes, eu pudesse ter tido algum vislumbre, igual o Capitão América tem quando entende uma referência.



Recomendável mais para os fãs de horror do que terror, Legião é um notório exemplar sobre a eterna luta do bem contra o mal, da razão e da fé, do certo e do errado e de como a mente humana pode contemplar o abismo demoníaco do inferno.

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Legião (Legion)
Autor: William Peter Blatty
Editora Darkside Books
Ano: 2017
Skoob: 3.9 Estrelas / Goodreads: 3.7 Estrelas
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4 Estrelas
Legião é a verdadeira continuação de O Exorcista. Personagens e acontecimentos importantes do primeiro livro encarnam novamente nas páginas deste romance que Blatty publicou em 1983 e que finalmente sai no Brasil com seu título original. Alguns segredos da história de 1971 são revelados aqui, então é aconselhável ler O Exorcista antes de encarar Legião. A história começa dez anos depois do exorcismo de Regan MacNeil, a jovem menina endiabrada que Linda Blair incorporou no cinema. Só que agora o sobrenatural ganha também uma pegada de romance policial. O detetive (e cinéfilo nas horas vagas) William F. Kinderman volta à cena, investigando uma série de assassinatos brutais — entre eles, a crucificação de um garoto de apenas doze anos. O modus operandi dos crimes parece indicar a assinatura mórbida do assassino em série Geminiano. Mas como solucionar um caso em que o principal suspeito está morto há mais de uma década?
Autor: William Peter Blatty escreveu sobre demônios, mas também fez o mundo rir com o Inspetor Closeau. É dele o roteiro de Um Tiro no Escuro (1964), o segundo e melhor filme da série A Pantera Cor-de-Rosa. Até então autor de comédias, Blatty lançaria seu livro mais famoso em 1971 — a obraprima de terror O Exorcista. Dois anos depois, adaptou o livro para o cinema, e ganhou o Oscar de melhor roteiro. Dirigiu dois filmes, entre eles O Exorcista III, baseado em Legião. William Peter Blatty deixou o plano material em janeiro de 2017, aos 89 anos. Católico fervoroso, acreditava na vida eterna, como escreveu em seu livro de memórias: “Para todos aqueles que perderam um ente querido para essa fraude chamada Morte”.

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