Resenha: Três Coroas Negras - Kendare Blake

junho 08, 2017 / Francisco Soares Chagas Neto /

A cada geração, três irmãs nascem para governar, porém, somente uma delas deverá assumir o trono. E as outras duas deverão estar mortas




Um reino, três forças mágicas diferentes, apenas uma é destinada a governar a cada geração. Assim é Fennbirn, um reinado em uma ilha distante do continente, onde a magia ainda impera. Lá existem três cidades. Uma delas é Rolanth onde vivem os elementais, pessoas com capacidade de controlar os elementos naturais, como água, fogo e ar. a outra cidade é Wolf Spring, onde vivem os Naturalistas, capazes de controlar animais e plantas. E a última dessas cidades é Gravesdrake Manor, onde vivem os envenenadores, que possuem habilidades com venenos, os quais eles tomam altas doses e não sentem absolutamente nada, porém ao ser servido a outra pessoa, a morte estará a chegar.

A cada geração nascem três irmãs enviadas pela Deusa, cada uma com os poderes das respectivas cidades. Ao seis anos de idade, elas são separadas e enviadas para Rolanth, Wolf Spring e Gravesdrake Manor e assim serão treinadas até os dezesseis anos de idade, quando elas irão se reencontrar na cerimônia de Aceleração. E ao final da referida celebração que ocorre em um território neutro, mais precisamente no Vale de Innisfuil. As três princesas são autorizadas a lutarem entre si, é o chamado ano de ascensão, onde apenas uma delas irá sobreviver, sendo considerada a vencedora e assim assumindo o reinado, até o momento que a Deusa enviar mais três irmãs gêmeas para uma nova geração.



TRÊS NOVAS PRINCESAS, E QUEM SERÁ A RAINHA?



Em "Três Coroas Negras" estamos diante de uma nova geração de princesa, onde somente uma delas será rainha. A mais forte delas é Mirabella, uma elemental capaz de manipular o fogo, a água e o ar simultaneamente sem muito esforço ela hoje é uma das candidatas favoritas a trucidar suas irmãs e assim assumir o reinado. E por isso, as sacerdotisas estão ao seu lado, inclusive a principal delas, Luca, a qual fará o possível e o impossível para colocar Mirabella no poder, e assim fazer parte da realeza de Fennbirn. O problema é que Mirabella tem um ponto fraco, ela ainda ama as suas irmãs.



A outra irmã é Katharine, uma evenenadora, bem fraca, por sinal, sendo quase incapaz de tomar veneno sem passar mal, as vezes passa dias desacordada, depois de ter tomado veneno em seus treinamentos, isso porque Genevive, sua treinadora e amiga, não quer pegar leve, pois sabe que a qualquer descuido. Era uma vez Katharine. Para completar, as últimas três gerações foram de evenenadoras, então por isso a pressão sobre ela é maior, visto que várias famílias como os Arron tem muitas regalias que não estão dispostos a perder.



A última das irmãs é Arsinoe, engraçada, sagaz, mas assim como Katharine, extremamente fraca, incapaz de controlar um pequeno animal que seja, ou ainda fazer crescer grandes plantações. Além disso, a jovem é mais subestimada das princesas, visto que há muito tempo não se ver uma Naturalista em frente do reino. Nesse aspecto, tira-se a expectativa sobre ela, porém Arsinoe, como qualquer garota, não deseja morrer e esse quadro ela quer reverter, e talvez precisam de seus amigos para isso.

A IMPORTÂNCIA DA AMIZADE EM TRÊS COROAS NEGRAS

Um dos pontos altos dessa história com certeza é a amizade que surgem entre as futuras pretendentes aos tronos e diversas pessoas nas suas respectivas cidades. Afinal de contas, elas teriam de tudo para serem solitárias visto às suas posições, porém as três personagens conseguem se relacionar muito bem em suas cidades de treinos criando expectativas de pessoas muito próximas delas. Isso é corroborado pela personalidade forte das três princesas, as quais possuem liderança para assumir o reinado, é fácil criar empatias por ambas e escolher uma delas, talvez ao final da primeira história, você leitor se torne amiga dessas três.

Além disso, ao longo da história é fácil perceber as intercorrências que fazem com que cada uma seja nutrida por um ódio da outra, seja porque algumas delas tenham memórias apagadas, ou ainda as circunstâncias que as tornam odiosas entre elas. E nós leitores somos apenas espectadores, que gostaríamos de gritar várias vezes... NÃOOOOOOOOOO, você entendeu errado.



UM JOGO POLÍTICO?

Mas o que é uma guerra entre as três irmãs gêmeas senão um jogo político? Sim, observem em segundo plano, uma tradição é colocada, mas sempre em cima de interesses. Primeiramente, os envenenadores que possuem a maioria dos principais cargos e não querem perde-los. Além disso, as sacerdotisas já passaram uma vida mais próximo da vista como vencedora, pois claro, também querem um pedaço desse osso. E ainda, os mais próximos de Arsinoe não a querem ver morta, então cada um usa as armas que possuem. E detalhe, pessoas do continente também se aproximam para embolotar ainda mais esse jogo. Ao final o cabo, Fennbirn fica em um nível que se aproxima de "Game of Thrones", mas sem tantas mortes assim.

Esse primeiro livro é voltado basicamente para a apresentação desse mundo criado pela autora. Iniciando no momento que as três jovens completam 16 anos, até um pouco depois do Festival Beltane, quando se dá inicio o ano da ascensão. Dessa maneira, ele acaba sendo um pouco mais pacato, onde a autora gasta bastante tempo explicando detalhes sobre o clima que se instaurou entre as três princesas, utilizando-se de artifícios para que nós leitores tenhamos empatia pelas personagens, quase que em mesmo nível, tanto que se você procurar outras resenhas irá observar que a maioria delas não possui uma princesa preferida(ao final do primeiro livro, eu tenho... Mirabella rainha, outras duas nadinha).

Ao chegar a cerimônia de Aceleração, como o próprio nome diz a história começa a acelerar bastante, com muitas cenas de ação, e intrigas que são culminadas em grandes encrencas. Aí, a história corre em um ritmo mais frenético até as últimas páginas. Na verdade, tem revelações até a última linha, então se você tem mania de ler a última página do livro, tenha cuidado, porque o spoiler lá é forte. Enfim, pelo que percebe-se é que boa parte dos grandes acontecimentos, a autora deixará para os próximos livros, até porque o cliffhanger aqui, foi daqueles bem canalhas, é como se tivessem pego um livro e dividido bem próximo ao seu clímax.

As "Três Coroas Negras" trouxe um plot muito interessante que te deixa ligado, e conforme você vai descobrindo mais sobre a história ela se torna mais fascinante, porém faltou no meio uma pitada de ação a fim de manter o leitor ligado sem se tornar cansativo, melhorando consideravelmente nas últimas 100 páginas dando assim esperanças de que o próximo livro dará certo. As bases foram bem criadas, agora só depende da autora consolidar a história.


Três Coroas Negras (Three Dark Crowns)
Três Coroas Negras #01 (Three Dark Crowns #01)
Kendare Blake
Editora: Globo Livros
Ano: 2017
Skoob: 4,2 Estrelas / Goodreads: 3,8 Estrelas
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03 Estrelas
Três herdeiras da coroa, cada uma com um poder mágico especial. Mirabella é uma elemental, capaz de produzir chamas e tempestades com um estalar de dedos. Katharine é uma envenenadora, com o poder de manipular os venenos mais mortais. E Arsinoe é uma naturalista, que tem a capacidade de fazer florescer a rosa mais vermelha e também controlar o mais feroz dos leões.
Autora: Kendare Blake é mestre em escrita criativa pela Universidade de Middlesex de Londres. Além de Três Coroas Negras, a série Anna Vestida de Sangue já teve o seu primeiro titulo publicado no Brasil

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