Resenha: Jovens de Elite - Marie Lu

maio 29, 2017 / Redação SOODA /

Agora é a vez de conhecer a JORNADA de uma VILÃ




De uns tempos para cá aquela luta entre heróis X vilões tem sido revista. Darth Vader foi provavelmente um dos primeiros dessa nova era de vilões que amamos odiar, e isso só vem se perpetuando. Parece que houve uma humanização dos vilões, onde eles não nasceram malvados, mas se tornaram. Once Upon a Time (série que revive os contos de fadas contados de uma maneira diferente) é um exemplo. A Rainha má vem praticando suas atrocidades, além dos outros vilões, mas conforme a história vai evoluindo, vamos conhecendo um pouca mais das motivações dessas vilanias, vamos criando uma empatia com os vilões e assim acontece em Jovens de Elite de Marie Lu.

Como a autora diz nos agradecimentos, essa história seria mais uma jornada de herói, não deu certo, virou uma jornada de vilã, e confesso para vocês, a história ficou muito melhor assim, não que eu tenha lido a outra, quem dera eu ser beta de Marie Lu, mas porque não consigo ver a evolução da história de outra forma.



O enredo se passa na época da inquisição, onde uma epidemia de uma febre se espalha na região (não foi especificada a doença na história, mas tudo indica que a inspiração seja a Peste Bulbônica) onde muitas pessoas morreram e os que sobreviveram tinham uma marca da doença, e eles eram chamados de Malfettos. Porém alguns desses malfettos conseguem manipular os fios de energia que existem em nosso mundo e assim praticar magia, são os chamados Jovens de Elite.

“Eu sabia do que meu pai estava falando. Ele se referia a malfettos muito específicos – um grupo raro de crianças que escapou da febre do sangue com cicatrizes (...) habilidades que não são desse mundo (...).” (p. 16).

Entre eles está a protagonista da história Adelina Amoretu, que estava prestes a morrer pela inquisição, depois de matar o seu pai com o seu poder, quando ela então é resgatada por outros jovens e tenta a fazer parte da sociedade dos Punhais. Adelina não teve uma vida fácil especialmente com a morte de sua mãe, por causa da febre, e a total atenção que seu pai dava a irmã em detrimento dela, que era considerada um ser maligno por ele.

Com o decorrer da história percebemos as magoas e energias negativas que pairavam sobre a Adelina começavam a aumentar, como se um lado negro começa-se a se tornar vigente em seu organismo. Desde que fez o teste com Rafaelle (um Jovem de Elite sedutor e com poder persuasivo), ela tem sido vista com desconfiança pelos outros participantes dos Punhais com medo de que isso se manifestasse nela, porém Enzo (líder da Sociedade dos Punhais) confia nela e vai se aproximando, e quem sabe até se apaixonando, pois ela relembra alguém muito importante do passado dele.

“Nada é isolado. Faça alguma coisa, por menor que seja, e ela vai afetar alguma outra, do outro lado do mundo. De certo modo, você já está conectada a cada um de nós” (p. 87)

Após Adelina ter sido salva da inquisição, Teren Santoro (o chefe inquisidor) sai em caçada em busca dela, e quando finalmente a encontra, ao invés de prende-la ele começa a chantageá-la que matará Violetta, se ela não traísse os Punhais e então... (Só lendo pra saber).



Nesse processo é difícil você não se afeiçoar a protagonista, mesmo que ela seja uma vilã, não simplesmente por que ela é humanizada, mas porque apesar dela sofrer pra caramba e depois pratica as maldades, ela sente um peso saboroso em suas ações, é como se você comesse algo que você gosta muito, mesmo sendo proibido, mas você não se aguenta, você se lambuza. É uma dualidade interessante, porque as vezes ela faz uma maldade pelas circunstâncias e sente que como se aquilo fosse maravilhoso, a autora te coloca nesse rumo o tempo todo da história.



É engraçado que se você parar para analisar um pouco a história, não existem bonzinhos, todos os lados pregam a sua perspectiva e permitem atrocidades como se fosse algo comum, todos os atos, tanto dos inquisidores como dos punhais, são explicáveis, e fazem sentido se você observar em suas perspectivas. E onde fica Adelina nesse meio? Não fica e esse é o ponto da história, ela não consegue se encaixar nem entre os Punhais, nem entre os Inquisidores o que pode leva-la as ações que aparentemente não tem explicações, mas que se você olhar duas vezes perceberá que dificilmente uma ação diferente dela, causaria males para alguém, inclusive para ela mesmo.

“Consigo pensar. Para sobreviver, tenho que entrar nesse jogo. E preciso joga-lo bem.” (p. 122)

Com certeza quando você passar da página 200, vai ler só num tapa. São muitos acontecimentos que te deixarão com a cara no chão, que vai ser muito difícil de digerir, até que o final vem e te avassala completamente (pelo menos comigo foi assim), aí vai ser o momento de você parar, pensar e refletir se gostou do que leu ou não. No final das contas, eu gostei muito.

Vale ressaltar que a escrita de Marie Lu é rápida, direta, sem rodeios, talvez por isso os livros delas sejam relativamente curtos, mas que não significa que é cheio de discussões, histórias, emoções. Aliás em 300 páginas ela criou um sistema de magia melhor que em muitos livros de 600 páginas. A edição brasileira tem a mesma capa da edição norte-americana, o espaçamento e fontes são muito boas, e com certeza a qualidade desse livro é bem melhor ao que costumamos ver na Editora Rocco.



No mais o livro Jovens de Elite conta a história de como “Uma vilã tentou ser boa, mas o mundo conspirou para que ela mergulhasse nas profundezas da maldade, mas será que foi o mundo mesmo? Ou ela nasceu pra ser má? ”.

“Tanto poder. Giro no meio de tudo isso, o queixo contraído, os lábios curvados em um sorriso triunfante, mesmo que outra parte de mim esteja horrorizada com o que acabamos de fazer. Eu me sinto entorpecida – no controle e, ainda assim, completamente indefesa.” (p. 184)
Jovens de Elite (The Young Elites)
Volume 01, Jovens de Elite
Autora: Marie Lu
Editora: Rocco (Selo Rocco Jovens Leitores)
Ano: 2016
Skoob: 4,1 Estrelas / Goodreads: 3, Estrelas
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05 Estrelas
Uma febre misteriosa deixou sequelas permanentes em toda uma população de jovens. Chamados de malfettos, alguns deles desenvolvem poderes especiais – controlam vento, fogo e até humanos – e se unem em sociedades secretas. Para alguns, esses Jovens de Elite são heróis que salvam inocentes em situações desesperadoras. Para a Inquisição, os sobre­viventes da praga são monstros marcados com poderes demoníacos e devem ser levados à justiça. Para Adelina, expulsa de casa após a doença, significa finalmente ter encontrado seu lugar no mundo. Mas ela logo percebe que não é uma heroína, que seus poderes são alimentados por medo e ódio e podem acabar trazendo uma era de pânico a esse mundo onde política e magia se chocam de maneiras surpreendentes... e aterrorizantes.
Autora: Marie Lu screve romances jovens-adultos, e tem um amor especial por livros distópicos. Antes de se tornar uma escritora em tempo integral, era diretora de arte em uma empresa de jogos. É formada na Universidade do Sul da Califórnia, e atualmente vive em Los Angeles.

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