Resenha: Alex + Ada, Volume 1 - Jonathan Luna & Sarah Vaughn

maio 25, 2017 / Thyago Costa /

Em um mundo onde a tecnologia avançou, Alex é infeliz até conhecer a androide Ada


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Por gerações os robôs cativam a mente humana, de sua forma mais simplória e boba (quem não lembra do adorável Wall-E?) até versões mais perigosas e perturbadoras (T-1000 deu um bom trabalho para Sara Connors). Mas, no meio disso tudo, o que é realmente um robô? Em 1921 foi encenada pela primeira vez, na Checoslováquia, a peça “R.U.R.”, de Karl Capek, aonde apareceu originalmente a palavra “robô” (um termo checo para “trabalho compulsório”).

Na obra, que significa “Rossum’s Universal Robots”, acompanhamos a história de um industrial inglês chamado Rossum, que criou seres humanos artificiais para fazer todo o trabalho mundano, como escravos. Obviamente o plano não deu certo e os robôs se rebelaram e extinguiram a raça humana. As décadas seguintes serviram de palco para outras obras que retratavam os robôs como seres perigosos para o mundo (a própria Primeira Guerra Mundial de certa forma mostrou o perigo do avanço tecnológico).

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Mais tarde, o autor Isaac Asimov compartilhou para o mundo histórias mais intrigantes sobre os robôs, mostrando questionamentos e situações verdadeiramente humanas para os seres metálicos tão menosprezados anteriormente. Asimov se tornou o Pai da Robótica e desde então diversos artistas bebem de sua obra e utilizam seus conceitos. E assim chegamos em Alex + Ada.

Alex é um jovem com um trabalho normal, em uma vida monótona num futuro próximo tecnologicamente avançado, aonde os robôs são peças fundamentais para o bom funcionamento da sociedade, desde simples ajudantes domésticos ao cobiçado Tanaka X5 (algo como um replicante de Blade Runner), o mais atual androide utilizado como companheiro amoroso. Alex acabou de sair de um relacionamento e está jogado na solidão, e os incontáveis convites de seus amigos para sair, e até mesmo o seu aniversário surpresa, não o fazem abandonar sua dor. Mas tudo muda quando nosso herói recebe um presente de sua doce vovozinha, um Tanaka X5.

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É dessa forma que Ada, a androide, entra na vida de Alex e a priori não o deixa nada satisfeito. O rapaz não confia muito em robôs inteligentes demais, afinal há um ano ocorreu um grande massacre causado por robôs, vitimando dezenas de pessoas. Alex, assim como a sociedade em que vive, teme que esse massacre se repita, e agora está com algo “extremamente perigoso” bem ali na sua casa. “Como esconder isso dos meus amigos? Como me livrar dessa coisa que finge ser humano? “. As dúvidas surgem aos milhares em sua cabeça, mas não é nem o começo.

Logo, Alex verá que bem no fundo da mente de Ada existe uma consciência pronta para ser libertada, ou melhor, pronta para finalmente nascer. Lutando contra suas próprias convicções, Alex fará de tudo para desvendar esse mistério, que não liga somente Ada, mas todos os androides do mundo. E no meio de toda essa tramoia, ele descobrirá o amor como nunca conheceu antes.

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Escrito por Sarah Vaughn e Jonathan Luna, sendo esse último também o ilustrador, “Alex + Ada” apresenta vários dos diversos temas presentes no mito robótico. Desde as Três Leis da Robótica (sintetizadas em diretrizes nos Tanaka X5), a procura por direitos constitucionais para seres não humanos (lembram do Homem Bicentenário?) e a luta incansável pela sobrevivência e a liberdade em um mundo intolerante (procurem os episódios do Segundo Renascer de “Animatrix” e saberão o que estou dizendo).

O roteiro de Sarah é rico e envolvente, com uma dose certa de humor e também seriedade, essa última principalmente ao apontar problemas atuais como o preconceito e a cultura do ódio. Em uma passagem do quadrinho é retratada a relação entre Aldus e Zelda - o primeiro um robô semelhante ao de “Projeto Zeta” e a segunda uma androide perfeitamente humana – que não ligam para as suas visíveis diferenças, simplesmente se amam. Em uma outra passagem vemos que alguns androides não se sentem confortáveis em serem “homens” ou “mulheres”, procurando dessa forma sua própria identidade de gênero. Vemos também o desespero de Alex para proteger Ada do governo, que começa uma caça cruel aos robôs conscientes.

A arte de Jonathan Luna é bem simples, sem grandes detalhes, mas cumpre seu papel. Principalmente por sua sequência visual – você terá a sensação de assistir a um filme - e a evolução das cores, seja no próprio cenário ou nas roupas dos personagens (destaque para Ada que no começo utiliza branco ou cinza, mas gradativamente utiliza outras cores na medida que sua humanidade aflora).

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Alex + Ada” foi publicada pela Image Comics em quinze edições entre 2013-2015, e agora em 2017 chegou aqui no Brasil pelo selo Geektopia. Por fim, o autor dessa postagem fica feliz em ser útil (um biscoito para quem pegar essa referência) ao apresentar essa obra tocante que merece todo apreço por sua genialidade por retratar um mundo tecnológico tão real que serve de base para uma bela história de amor.
Alex + Ada, Volume 1
Autores: Jonathan Luna & Sarah Vaughn
Editora: Novo Século (Selo Geektopia)
Ano: 2017
Skoob: 4,1 Estrelas / Goodreads: 3,9 Estrelas
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05 Estrelas
A última coisa no mundo que o jovem e solitário Alex poderia querer era um X5, a última palavra em androides realistas. Mas um inesperado presente de aniversário de sua avó faz Ada mergulhar em sua vida. Então ele descobre que ela é muito mais do que apenas um robô, levando-o a questionar tudo aquilo em que ele acredita.
Autor: JONATHAN LUNA co-criou e ilustrou THE SWORD, GIRLS, e ULTRA (todos Image Comics) com seu irmão, Joshua Luna. Ele co-criou e ilustrou ALEX + ADA com Sarah Vaughn. Ele escreveu e ilustrou STAR BRIGHT E THE LOOKING GLASS (Imagem Comics). Seu trabalho também inclui a arte para SPIDER-WOMAN: ORIGIN (Marvel Comics), escrito por Brian Michael Bendis e Brian Reed.

Autora: Sarah Vaughn é um artista, escritor, over-thinker. Ela é lápis Sparkshooter e atualmente está trabalhando com Jonathan Luna em Alex + Ada para Image Comics.

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